O cantor Amado Batista se pronunciou, por meio de sua assessoria, após ter o nome incluído na chamada “lista suja” do trabalho escravo, divulgada pelo governo federal em 2026. O artista contestou as informações sobre o suposto resgate de trabalhadores em propriedades rurais vinculadas a ele, em Goianápolis.
De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), 14 trabalhadores foram encontrados em condições análogas à escravidão durante fiscalizações realizadas em novembro de 2024. Dez deles estariam no Sítio Esperança, enquanto outros quatro foram localizados no Sítio Recanto da Mata. A defesa do cantor, no entanto, nega que tenha havido resgate e afirma que todos os funcionários seguem trabalhando normalmente.
Em nota, a assessoria esclareceu que houve fiscalização em uma das propriedades arrendadas para o plantio de milho, onde foram identificadas irregularidades na contratação de quatro trabalhadores. Segundo o comunicado, os funcionários eram vinculados a uma empresa terceirizada responsável pela abertura da área de cultivo.
Já no Sítio Esperança, utilizado para a produção leiteira, a equipe do artista informou que foram apontadas apenas adequações relacionadas à moradia e às áreas de convivência. As melhorias, conforme a nota, já teriam sido realizadas.
Fiscalização e denúncias
O nome de Amado Batista está entre os dez novos registros de Goiás incluídos na lista em 2026, que reúne pessoas físicas e jurídicas envolvidas em casos investigados nos últimos seis anos. As propriedades foram vistoriadas entre os dias 19 e 29 de novembro de 2024, após denúncia apurada com apoio da Polícia Civil de Goiás.
Segundo o MTE, no Sítio Recanto da Mata, quatro trabalhadores teriam sido submetidos a condições degradantes e jornadas exaustivas — o que é contestado pelo cantor. A área, destinada ao cultivo de milho, teria sido arrendada, e o serviço executado por uma empresa contratada, responsável pelos operadores de máquinas.
A pasta relatou que os trabalhadores dormiam em um galpão, em condições precárias, sem camas adequadas, roupas de cama ou armários individuais. Também não havia espaço apropriado para refeições. Em depoimentos, os funcionários teriam afirmado que estavam há cerca de dois meses sem registro formal e sem receber salários, além de cumprir jornadas que variavam entre 12 e 16 horas diárias.
Jornada exaustiva em propriedade vizinha
No Sítio Esperança, propriedade vizinha, outros dez trabalhadores foram identificados em situação de jornada exaustiva. Embora inicialmente não tenham sido constatados indícios de trabalho degradante, a fiscalização apontou posteriormente que a carga horária chegava a até 18 horas por dia.
Ajuste com o Ministério Público
Ainda conforme a assessoria, o cantor firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho (MPT), quitando valores devidos e regularizando a situação dos trabalhadores. A equipe afirma que medidas administrativas já foram adotadas para encerrar o processo de autuação.
Na íntegra, a defesa de Amado Batista sustenta que “não houve resgate de trabalhadores” e classifica as informações divulgadas como “completamente falsas e inverídicas”, reiterando que as obrigações trabalhistas foram cumpridas e que providências estão em andamento para resolver o caso.








