Formação gratuita prepara professores para prevenir e enfrentar violências digitais que atingem meninas no ambiente escolar
Mais de 26 mil educadores das cinco regiões do Brasil e outros sete países já se inscreveram no curso “Escolas ON, Violências OFF: Educação para segurança digital de meninas”, disponível na plataforma AVAMEC, do Ministério da Educação. Desses, mais de 14 mil profissionais já estão certificados.
O curso tem como objetivo capacitar professores, gestores escolares e demais profissionais da educação para identificar, prevenir e responder às violências de gênero facilitadas pela tecnologia, como assédio online, perseguição digital, chantagem, extorsão e exposição de imagens íntimas sem consentimento.
Desenvolvida pela organização Serenas, a iniciativa conta com apoio institucional do Ministério das Mulheres, Ministério da Educação e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom/PR), e apoio financeiro do Programa Brasil–Reino Unido de Acesso Digital, da Embaixada do Reino Unido no Brasil.
Os dados levantados com cursistas reforçam a relevância da iniciativa. Entre os participantes:
- 68,3% afirmaram nunca ter participado de um curso sobre prevenção de violências contra meninas e mulheres.
- Apenas 31,7% já haviam tido contato prévio com esse tipo de formação.
Além disso, a presença dessas violências no cotidiano escolar é significativa:
- 84,5% dos educadores relatam já ter observado casos de violência digital envolvendo meninas em idade escolar ao menos uma vez.
- Apenas 15,5% afirmam nunca ter presenciado esse tipo de situação.
Os números evidenciam a necessidade de ampliar o acesso à formação qualificada sobre o tema, fortalecendo a capacidade das escolas de atuar na prevenção e no acolhimento.
FORMAÇÃO — Além da formação online, o projeto também inclui ações presenciais em diferentes estados, com foco na formação de educadores como multiplicadores da temática. Ao longo dos últimos dois meses, mais de 400 profissionais participaram de encontros presenciais realizados pela Serenas, em Aracaju (SE), Boa Vista (RR), Cuiabá (MT), Ibirité (MG), Eldorado do Sul (RS) e Maricá (RJ) ampliando a disseminação do conteúdo nas redes públicas de ensino.
Essas ações fortalecem a articulação com secretarias de educação e redes de proteção, contribuindo para que o tema seja incorporado às práticas pedagógicas e institucionais das escolas.
IMPACTOS — Os impactos da formação já podem ser observados no cotidiano escolar. Na Escola de Ensino Integral Professor Seixas Doria, em Nossa Senhora do Socorro (SE), a professora Elaine Andrade utilizou os conhecimentos adquiridos no curso para aprofundar o trabalho com estudantes sobre violências de gênero.
Com turmas do ensino médio, desenvolveu atividades sobre relacionamentos abusivos e propôs a criação de um vídeo educativo, posteriormente utilizado em ações com alunos mais novos. A iniciativa estimulou o protagonismo estudantil e promoveu discussões sobre direitos, respeito e relações saudáveis.
Após a formação, a professora também está desenvolvendo novas ações na escola, como:
- A organização de um protocolo de acolhimento para casos de violência de gênero;
- A realização de uma pesquisa com estudantes sobre relacionamentos abusivos;
- O desenvolvimento de um site com conteúdos de conscientização para a comunidade escolar.
Segundo Elaine, muitos conceitos foram aprofundados, especialmente no que diz respeito à violência de gênero, feminicídio e formas de acolhimento: “Agora eu sei explicar o que é feminicídio com muito mais propriedade e de um jeito mais didático”.
Em Roraima, educadores também destacam a importância da formação para lidar com situações cada vez mais presentes no ambiente escolar. “Essas violências não surgem na escola, mas muitas vezes são agravadas dentro dela, onde os estudantes utilizam bastante a internet. A escola não pode se calar diante do que está acontecendo. O curso nos oferece ferramentas para lidar com esses casos e entender melhor esse contexto”, afirmou a professora Hstéffany Muniz, da rede estadual.
FORMAÇÃO — O curso “Escolas ON, Violências OFF” é gratuito, online, tem carga horária de 20 horas e oferece certificado de conclusão. A formação é composta por cinco módulos que combinam conteúdos teóricos e práticos sobre violências de gênero facilitadas pela tecnologia. Categoria








