Brasil assume protagonismo nos debates para regulação de apostas eletrônicas na Assembleia da Organização Mundial da Saúde

Em Genebra, ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que problemas de saúde mental já levaram 512 mil brasileiros e brasileiras a solicitarem o bloqueio de acesso a sites de jogos por meio da plataforma de autoexclusão

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha propôs durante a Assembleia da Organização Mundial da Saúde (OMS), em Genebra, uma articulação internacional para regular o mercado de jogos e apostas eletrônicas. No Brasil, o Governo já desenvolve uma série de iniciativas para enfrentar o problema, como a Plataforma de Autoexclusão Centralizada, lançada em dezembro do ano passado pelos ministérios da Saúde e da Fazenda.

Em seu discurso, Padilha destacou que a falta de regras para jogos virtuais impulsiona o endividamento e produz efeitos negativos na saúde mental das pessoas. “O tema passou a ocupar uma posição prioritária na agenda do governo do Brasil diante do reconhecimento dos riscos e do sofrimento associado às apostas. Da primeira regulamentação para cá, outras mudanças já foram desenvolvidas, buscando avançar na regulação da publicidade e na restrição do acesso para crianças e adolescentes”, destacou.

A Plataforma de Autoexclusão Centralizada permite que a própria pessoa solicite o bloqueio de acesso a sites de apostas. Em apenas seis meses, 512 mil pessoas já realizaram a autoexclusão. Desse total, mais da metade relatou sofrimento mental.


TELEATENDIMENTO – Para ampliar o atendimento desse público, o SUS passou a contar este ano com um serviço de teleatendimento em saúde mental para pessoas com problemas relacionados a jogos de apostas. Com investimento de R$ 2,5 milhões do Ministério da Saúde, as consultas são destinadas a pessoas com 18 anos ou mais, além de familiares e rede de apoio.

ATENÇÃO PRIMÁRIA – A atual gestão também expandiu o atendimento presencial na atenção primária nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e nos serviços de urgência e emergência. A medida visa permitir que pessoas em sofrimento mental possam contar com o apoio necessário para superar o vício em apostas. O conjunto de medidas inclui, ainda, o lançamento do Guia de Cuidado para Pessoas com Problemas Relacionados a Jogos de Apostas. Em 2023, o Congresso Nacional aprovou a primeira regulamentação para o setor.

OUTRAS INICIATIVAS – Segundo Alexandre Padilha, a experiência brasileira em outras iniciativas, como a legislação de controle do tabaco, pode inspirar os trabalhos voltados à definição de medidas mais avançadas relacionadas às apostas eletrônicas. Em 2023, o Congresso Nacional aprovou a primeira regulamentação para o setor.

BRASIL E REPÚBLICA DOMINICANA – Em outra agenda realizada em Genebra, o Brasil e a República Dominicana assinaram um Memorando de Entendimento para desenvolver pesquisas e tecnologias voltadas à saúde pública. A intenção é definir estratégias para reduzir a mortalidade maternal e neonatal e implementar medidas voltadas à saúde escolar e à saúde digital. Além disso, a inciativa também contempla fornecer vacinas contra a febre amarela e ampliar as capacidades em emergências sanitárias.

ENCONTROS BILATERAIS – O ministro Alexandre Padilha também participou de encontros bilaterais com ministros da Saúde de Moçambique, Irã e Egito, além de reuniões com representantes de Portugal.

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